PROJETO MEIO AMBIENTE: CULTIVO DO HÁBITO DO USO DOS 5 rS

2011: Mais um ano letivo pela frente. Em 2010, realizamos com bastante êxito o projeto Gêneros Textuais (orais e escritos), objetivando conhecer, analisar e produzir textos ligados aos Valores Humanos. Neste ano, 2011,a proposta dos gêneros visa desenvolver habilidades e potencialidades relacionadas ao respeito pelo MEIO AMBIENTE, sobretudo à prática ao uso dos 5Rs (Respeitar, repensar, reduzir, reutilizar e reciclar). Por isso, abri um página - MEIO AMBIENTE - só com textos que discorrem sobre o tema. O IFMT campus Rondonópolis não pode prescindir, num momento de agonia do planeta, do seu papel de construção de cidadania. Aguardem!! “Se quisermos ter menos lixo, precisamos rever nosso paradigma de felicidade humana. menos lixo significa ter... mais qualidade, menos quantidade; mais cultura, menos símbolos de status; mais esporte, menos material esportivo; mais tempo para as crianças, menos dinheiro trocado; mais animação, menos tecnologia de diversão; mais carinho, menos presente... (Gilnreiner, 1992)

13 de outubro de 2011

REDAÇÃO ENEM 2011!!! VER DICAS

Olá, Pessoal, sobretudo os alunos do terceiro ano!!!
Chegado o momento... e agora?? Estou diante da proposta de redação. O que fazer??


PASSOS A SEGUIR

1) Devemos ler, analisar e interpretar cuidadosamente os textos da coletânea. A fuga ao tema implica zerar a prova de redação;
Levantado o tema; delimite-o e elabore uma tese (uma declaração – opinião –  a ideia central, o tópico frasal, o carro-chefe) -  que vai ser comprovada, fundamentada.

2) Levantamento de ideias
A melhor maneira de levantar ideias sobre o tema é a autoindagação. Transforme a tese, mentalmente, numa pergunta e, a partir daí, no desenvolvimento, tente responder, comprovar o que foi afirmado na tese ).
A tese, inserida na introdução, orienta ou governa o resto do parágrafo; dele nascem outros períodos secundários ou periféricos; é o período mestre, que contém a frase-chave. A tese dirige a atenção do leitor para o tema central,  ajudando-o a não perder o fio da meada do raciocínio. Tem o  potencial de gerar ideias-filhote; é enunciação argumentável, afirmação ou negação que leva o leitor a esperar mais do escritor (uma explicação, uma prova, detalhes, exemplos).
Assim, a tese é o seu ponto de vista (sua opinião) a respeito de determinado assunto e ponto de partida para você comprová-la com argumentos sólidos, verídicos e sustentáveis.
 
3) Um momento para as ideias de assentarem
Siga sua intuição. Eu, particularmente, gosto de suspender a atividade por alguns instantes, ocupando-me na resolução de outras provas. Agindo assim, além de espairecermos um pouco a cabeça, podemos ganhar tempo para obter outras ideias, enquanto faz as outras provas, e estarmos mais preparado para perceber alguns desvios de raciocínio que passariam despercebidos.

04. Revisão e acabamento (antes de passar a limpo)
Faça uma cuidadosa revisão do rascunho e as devidas correções; leia o texto como se ele estivesse sido escrito pelo seu mais ferrenho inimigo – a criticidade costuma aumentar! rrrss

05. Versão definitiva
Passe a limpo para a versão definitiva, sem qualquer desespero. Mantenha a calma, mas não seja acomodado.O tempo é precioso.
 
06. Elaboração do título
O título deve ser urna frase curta condizente com a essência do tema. Costumo dizer que o bom título é aquele que remete o autor para a tese defendida.

Não deixe de você mesmo(a) fazer a seguintes perguntas:

O meu texto:
·         apresenta Introdução (breve contextualização + a tese), Desenvolvimento (exposição/argumentação, detalhamento) e Conclusão (retomada da tese, proposta de sugestão de solução do problema)? Há demonstração de capacidade de raciocínio e visão de mundo?
·          Apresenta verbos impessoais – 3ª pessoa do singular? (A estrutura do texto dissertativo-argumentativo é mais rígida que a de artigos, crônicas, editoriais. Estes últimos, apesar de serem também textos de opinião, permitem uma maneira mais informal).
·          As ideias-núcleo dos parágrafos estão bem desenvolvidas, bem fundamentadas? (E não se esqueça de que todas devem estar “trabalhando”para comprovar a tese anunciada lá na  introdução).
·         Os  argumentos são convincentes? Os  fatos são comprovados com base nos conhecimentos adquirido ao longo de sua formação escolar e fontes culturais diversas?
Evite:
·   adjetivações descabidas:  “belo”, “bom”, “mau”, “incrível”, “péssimo”, “triste”,“pobre”, “rico” etc.;
·   frases feitas e expressões cristalizadas,  a palavra “coisa”, gírias e vícios da linguagem oral, o uso do “etc.” e as abreviações.
·   aspas no título e nem palavras estrangeiras com correspondência na língua portuguesa: hippie, status, dark, punk, laser, chips etc.
·   enchimento de linguiça. Explicações em rodeio demonstram falta de conhecimento sobre o assunto. Além disso, uma das qualidades da boa redação é a progressão textual. O leitor, depois de ler seu texto, deve sentir-se satisfeito porque aprendeu com ele.
·   repetição de idéias, falta de clareza, construções sem nexo (conjunções mal empregadas), períodos incompletos,falta de concatenação de ideias nas frases e nos parágrafos entre si, divagação ou fuga ao tema proposto.
·  construção de parágrafos prolixos ou muito curtos.
·  parágrafos fragmentados, - forma primária de construção.

 E mais uma vez: A argumentação utilizada responde ao que se propôs defender na tese?  (Se você eventualmente encerrar o texto com uma interrogação, esta pode estar corretamente empregada desde que a argumentação responda à questão. Se o texto for vago, a interrogação será retórica e vazia).

Bom-senso é sempre a melhor opção!

Veja um modelo considerado acima da média. De acordo com a última proposta em sala de aula, a aluna Aline Braga, depois de ler a proposta, partiu do seguinte raciocínio:

Tema: As tecnologias de Comunicação
Delimitação do Tema: A influência das tecnologias de comunicação no comportamento contemporâneo

Tese: A influência direta, sobretudo das redes sociais, sobre os modos de agir e pensar dos internautas revela uma nova tendência acerca do convívio social.
A partir desta tese, a aluna compôs seu texto que dividi em partes para ficar mais fácil  de compreender o processo da composição:

 
Introdução: breve contextualização do tema  com a inserção da tese (ponto de vista a ser defendido no desenvolvimento). Veja como ela articulou a tese na introdução.

Equilíbrio e sensatez na internet
As tecnologias de comunicação promovem a conexão com o mundo. Constituem ferramentas criadas para estabelecer elos entre diversas pessoas, culturas e informações, viabilizando o acesso ao processo de globalização. Apesar desses benefícios, internautas que se dobram aos encantamentos dessas ferramentas, sobretudo aos das redes sociais, têm sido influenciados negativamente nos seus modos de pensar e agir. Com isso, vai se desenhando um quadro psicológico negativo de estresse e dificuldade de relacionamentos sociais no comportamento contemporâneo.

Desenvolvimento: seleção dos argumentos que defendem a tese expressa na introdução – com detalhamentos necessários ao convencimento do leitor . Veja a articulação que fez entre as ideias dos parágrafos:
Argumento 1
Dentre as influências decorrentes do mau-uso da  tecnologia, pode-se destacar a da onda do anonimato, por meio da qual, usuários de computadores, mal-intencionados, promovem atos antiéticos e imorais, seja invadindo a privacidade de alguém, como no caso da pedofilia, ou praticando o cyberbullying –maneira de denegrir, ameaçar, humilhar o outro pelo computador. Evidentemente, essa prática de comportamento é própria daqueles que, por já possuírem um desvio de conduta, veem na ferramenta uma forma de destilar o mal sem tirar suas máscaras. De qualquer forma, é um mal que tem se proliferado nas redes sociais. 

Desenvolvimento: seleção dos argumentos que defendem a tese expressa na introdução – com detalhamentos necessários ao convencimento do leitor . Perceba os elementos de coesão com que ela vai "amarrando" as ideias.
Argumento 2
Outra influência negativa no comportamento contemporâneo é o distúrbio psiquiátrico, conhecido como “internet-dependência”ou  “internet-compulsão”, que tem sido cada vez mais frequente, sobretudo, entre os jovens internautas.  Estima-se que entre 6 e 10% dos aproximadamente 189 milhões de americanos usuários do computador padecem desse mal. Os efeitos deste vício estão relacionados principalmente à insegurança, à impaciência e à reclusão  social que, por sua vez, podem interferir no humor e nas relações interpessoais, inclusive com os familiares. Exemplo disso é o da  britânica Jemma Pixie Hixon que, apesar do sucesso como cantora, só consegue desfrutar a fama alcançada, na rede, protegida pelas paredes de sua casa, porque tem medo de sentir medo do público.

Conclusão: fechamento do texto com retomada à tese e alguma proposta de solução para o problema

Assim, uma ferramenta de intercâmbio social  e cultural, debate e divulgação de ideias e de conhecimentos, transformou-se numa válvula de escape para aqueles que não conseguem controlar impulsos insanos.  Alguns fazem isso, expondo-se demais; outros entregam-se ao isolamento social e, ainda, há os que o fazem, cometendo práticas indecentes e criminosas. É papel da família, do Estado e da sociedade educar o indivíduo, desde a infância, para lidar com suas dificuldades interiores para que ele, mais tarde, possa contribuir com a construção de uma sociedade sadia. Isso só é possível quando se lhe ensinam virtudes essenciais, como equilíbrio  e bom-senso, capazes de o livrar de interferências negativas de comportamento, advindas de deslumbramentos diante de quaisquer novidades.

Ver link com possíveis temas para redação deste ano -2011
http://enem2011.guiadoestudante.abril.com.br/grupo-de-estudo/topico?id=1990


1 de outubro de 2011

COMPETENCIAS EXIGIDAS PELO ENEM NA PROVA DE REDAÇÃO

COMPETÊNCIAS EXPRESSAS NA MATRIZ DE REFERÊNCIA PARA REDAÇÃO

Baseada nas cinco competências da Matriz de Referência para a Redação, a proposta da Redação do Enem é elaborada de forma a possibilitar que os participantes, a partir de uma situação-problema e de subsídios oferecidos, realizem uma reflexão escrita sobre um tema de ordem política, social ou cultural, produzindo um texto de tipo dissertativo-argumentativo.

COMPETÊNCIAS
I - Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.
II - Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
III - Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
IV - Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.
V - Elaborar proposta de solução para o problema abordado, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Níveis de conhecimentos associados às Competências Expressas nas Matrizes de Referência para Redação do Enem.

Para cada uma das competências expressas na matriz de referência para redação do Enem, existem níveis de conhecimento associados a essas competências, conforme descritos abaixo:
- Nível 0:
Demonstra desconhecimento da norma padrão, de escolha de registro e de convenções da escrita. Não defende ponto de vista e apresenta informações, fatos, opiniões e argumentos incoerentes. Apresenta informações desconexas, que não se configuram como texto. Não elabora proposta de intervenção.
- Nível I:
Demonstra domínio insuficiente da norma padrão, apresentando graves e frequentes desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita. Desenvolve de maneira tangencial o tema ou apresenta inadequação ao tipo textual dissertativo-argumentativo. Não defende ponto de vista e apresenta informações, fatos, opiniões e argumentos pouco relacionados ao tema. Não articula as partes do texto ou as articula de forma precária e/ou inadequada. Elabora proposta de intervenção tangencial ao tema ou a deixa subentendida no texto.
- Nível II:
Demonstra domínio mediano da norma padrão, apresentando muitos desvios gramaticais, de escolha de registro e de convenções da escrita. Desenvolve de forma mediana o tema a partir de argumentos do senso comum, cópias dos textos motivadores ou apresenta domínio precário do tipo textual dissertativo-argumentativo. Apresenta informações, fatos e opiniões, ainda que pertinentes ao tema proposto, com pouca articulação e/ou com contradições, ou limita-se a reproduzir os argumentos constantes na proposta de redação em defesa de seu ponto de vista. Articula as partes do texto, porém com muitas inadequações na utilização dos recursos coesivos. Elabora proposta de intervenção de forma precária ou relacionada ao tema mas não articulada com a discussão desenvolvida no texto.
- Nível III:
Demonstra domínio adequado da norma padrão, apresentando alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita. Desenvolve de forma adequada o tema, a partir de argumentação previsível e apresenta domínio adequado do tipo textual dissertativo-argumentativo. Apresenta informações, fatos, opiniões e argumentos pertinentes ao tema proposto, porém pouco organizados e relacionados de forma pouco consistente em defesa de seu ponto de vista. Articula as partes do texto, porém com algumas inadequações na utilização dos recursos coesivos. Elabora proposta de intervenção relacionada ao tema mas pouco articulada à discussão desenvolvida no texto.
- Nível IV:
Demonstra bom domínio da norma padrão, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita. Desenvolve bem o tema a partir de argumentação consistente e apresenta bom domínio do tipo textual dissertativo-argumentativo. Seleciona, organiza e relaciona informações, fatos, opiniões e argumentos pertinentes ao tema proposto de forma consistente, com indícios de autoria, em defesa de seu ponto de vista. Articula as partes do texto, com poucas inadequações na utilização de recursos coesivos. Elabora proposta de intervenção relacionada ao tema e bem articulada à discussão desenvolvida no texto.
- Nível V:
Demonstra excelente domínio da norma padrão, não apresentando ou apresentando escassos desvios gramaticais e de convenções da escrita. Desenvolve muito bem o tema com argumentação consistente, além de apresentar excelente domínio do tipo textual dissertativo-argumentativo, a partir de um repertório sociocultural produtivo. Seleciona, organiza e relaciona informações, fatos, opiniões e argumentos pertinentes ao tema proposto de forma consistente, configurando autoria, em defesa de seu ponto de vista. Articula as partes do texto, sem inadequações na utilização dos recursos coesivos. Elabora proposta de intervenção inovadora relacionada ao tema e bem articulada à discussão desenvolvida em seu texto.

A redação é corrigida por dois corretores de forma independente, sem que um conheça a nota atribuída pelo outro. A nota final corresponde à média aritmética simples das notas atribuídas pelos dois corretores.
6.7.6.1 Caso haja discrepância de 300 (trezentos) pontos ou mais na nota atribuída pelos corretores (em uma escala de 0 a 1000), a redação passará por uma terceira correção, realizada por um supervisor. A nota atribuída pelo supervisor substitui a nota dos demais corretores.
6.7.6.2 O Inep considera que a metodologia empregada na correção das redações contempla recurso de ofício.
6.7.7 Em todos os casos expressos abaixo, será atribuída nota zero à redação:
6.7.7.1 que não atender a proposta solicitada ou que possua outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo, o que configurará “Fuga ao tema/não atendimento ao tipo textual”;
6.7.7.2 sem texto escrito na Folha de Redação, que será considerada “Em Branco”;
6.7.7.3 Com até 7 (sete) linhas, qualquer que seja o conteúdo, que configurará “Texto insuficiente”;
6.7.7.3.1 Linhas com cópia dos textos motivadores apresentados no Caderno de Questões serão desconsideradas para efeito de correção e de contagem do mínimo de linhas;
6.7.7.4 Com impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, que será considerada “Anulada”.
6.7.8 O disposto no item 6.7.6.1 também se aplica à correção de uma redação que tiver sido considerada “Fuga ao tema/não atendimento ao tipo textual”; “Anulada” ou “Texto insuficiente” por um corretor e, simultaneamente, divergir com o considerado pelo outro corretor.


30 de julho de 2011

Ensino da letra de mão é suspenso em escolas dos EUA


O uso de computadores, celulares, tablets e laptops têm transformado o dia a dia das crianças. As mudanças são visíveis nas brincadeiras e também na hora do aprendizado dos pequenos. Tanto que nos Estados Unidos, a tradicional forma de escrever com a letra cursiva (de mão) foi considerada ultrapassada e o ensino deve ser abandonado em mais de 40 estados norte-americanos.

O primeiro deles a suspender por lei o ensino da letra cursiva nas escolas foi o estado de Indiana. Os defensores do novo código argumentam que, atualmente, as crianças não necessitam e quase não se utilizam de caneta e papel para escrever e por isso a alfabetização deve se focar no ensino da letra bastão e nos métodos de digitação. A medida causou polêmica nos EUA. Será que o hábito pode ser incorporado por aqui também?

Para a psicopedagoga Anete Hecht, diretora pedagógica do Colégio I.L.Peretz, em São Paulo, não há motivos que justifiquem a retirada do ensino da letra cursiva nas escolas brasileiras. “Os métodos devem ser somados e não reduzidos. A alfabetização acontece no primeiro momento com a letra bastão, depois a criança passa para a letra cursiva. Isso é importante porque na letra de mão, a criança desenvolve traços da sua identidade e personalidade”, afirma. A psicopedagoga se preocupa também com o desenvolvimento da coordenação motora fina das crianças, que poderia ser prejudicada pelo abandono da letra de mão.

Mas segundo Saad Ellovitch, neuropediatra do Hospital Samaritano de São Paulo, o desenvolvimento da coordenação motora fina não está estritamente relacionado à escrita cursiva, mas também ao uso das mãos em movimentos sutis. “O cérebro se adapta às necessidades do corpo. Você pode desenvolver a motricidade fina, ou seja, a capacidade de execução de movimentos pequenos e delicados, com outras atividades, como por exemplo, o desenho”, afirma a especialista. O corpo é capaz de se adaptar assim às novas condições impostas pelo desenvolvimento humano.

Hoje, a substituição da escrita cursiva pela digital se apresenta como um processo natural - e não necessariamente um problema. “A escrita digital predomina na maioria dos trabalhos da esfera profissional. Por isso, o investimento no ensino da letra cursiva para essa função está cada vez mais em desuso", explica Maria Jose Nóbrega, filóloga e assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. A portabilidade dos equipamentos é outro fator que desestimula a escrita de mão. No entanto, como os impactos das novas tecnologias sobre a educação e o aprendizado ainda são pouco conhecidos, a especialista reforça que os novos e os antigos métodos tendem a ser usados de forma conjunta.“Ainda não podemos excluir o ensino da letra cursiva, porque no Brasil nós não temos a universalização do acesso ao computador", diz.
Outra razão seria porque a escrita manual desempenha algumas funções que ainda não foram substituídas pela digital. Uma letra bonita, em um caderno arrumado, é claro, também ensina conceitos de organização.

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI252152-10469,00-ENSINO+DA+LETRA+DE+MAO+E+SUSPENSO+EM+ESCOLAS+DOS+EUA.htmlEspecialistas discutem as consequências da medida para o desenvolvimento das crianças

29 de junho de 2011

DICAS ELABORAÇÃO PROJETO PARA FEIRA DE CIÊNCIAS

A Feira das Ciências – CIE/ 2011 vem aí....

O tema gerador?

MEIO AMBIENTE: COLETA E DESTINAÇÃO CORRETA DO LIXO NA CIDADE DE RONDONÓPOLIS

Enquanto vocês vão pensando sobre o tema e sua delimitação, vão aí algumas dicas de como montar um projeto científico.

PROJETO DE PESQUISA

Como tudo na vida, a pesquisa científica exige ações planejadas. O projeto de pesquisa é o resultado deste planejamento, envolvendo a escolha do tema e sua delimitação, a formulação do problema, a especificação de objetivos, construção de hipóteses, operacionalização dos conceitos etc.
Elaborar um projeto significa colocar no papel, de maneira organizada, o que vamos fazer (tema e delimitação do tema), para que vamos fazer (objetivos, metas, finalidades), por que vamos fazer (importância da pesquisa), como vamos fazer, ou seja, que ações temos de realizar (metodologia) quando vamos fazer (cronograma), com quem vamos fazer (população-alvo, se for pesquisa de campo), qual é o palpite antecipado que temos para a solução do problema (hipótese) e, claro, uma boa e bem formulada Revisão de Literatura, que é a base de qualquer conhecimento.
Lembre-se: Projeto ainda não é o trabalho pronto, é só um planejamento organizado daquilo que vamos fazer. Portanto, não apresenta nem resumo, nem discussão de dados, nem conclusão, obviamente.

PASSOS PARA ELABORAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA: (Faça isso num caderno separado. Cada aluno deve ter o seu.  Só depois de muito bem pensado, lido, relido e aprovado é que vocês digitarão o projeto para ser corrigido pelo professor-regente da turma).

1- Pense num assunto que lhe seja interessante e sobre o qual você gostaria de aprofundar seus conhecimentos, tirar uma dúvida, propor solução ou até mesmo solucionar o problema. Faça uma pesquisa sobre este assunto sob vários pontos de vista, ou seja, não fique num só texto. Ver se essa pesquisa é viável (possível de realizar); se é relevante (importante para você, sua comunidade ou até para humanidade); se é atual. Esse assunto é atrativo e significativo para mim e para sociedade? Pronto? Então, você já tem o...
2- TEMA: escreva o assunto escolhido em linhas gerais. Isso lhe dará um direcionamento do que vai ser estudado no trabalho. Todo tema é muito amplo, não há como falar sobre tudo; é preciso, portanto, escolher apenas um ponto, aquele que você julgar mais interessante, mais viável e mais relevante para todos. Então, é hora da...
3- LEITURA SOBRE O TEMA ESCOLHIDO: Selecione alguns textos sobre o tema escolhido. Pode ser de uns quatro autores diferentes ou até mais, de acordo com a necessidade. Depois, leia-os com atenção.  Faça resumo desses textos lidos num caderno reservado para isso. Não se esqueça de registrar a fonte do texto. Acho que com esses dados e com a ajuda de um adulto você já pode fazer a...
4- DELIMITAÇÃO DO TEMA: objeto de estudo, ou seja, o “recorte” do assunto do trabalho. Delimite com precisão esse recorte. Importante partir para a pesquisa com o “recorte” e o tema definidos. A pesquisa precisa ser delimitada.
           Toda pesquisa parte de um contexto. Considere um assunto no  universo no qual está inserido.  O assunto Trânsito, por exemplo, podemos “recortá-lo”  em vários objetos de estudo: Trânsito de motocicletas; A infração às regras de trânsito, Alcoolismo no trânsito e outros tantos.
Mas, se considerarmos estes primeiros “recortes” , poderemos ir “recortando” mais objetos de estudo (subsistemas) cada vez menores, restritos, localizados. Por exemplo, dentro do objeto de estudo Trânsito de Motocicletas, podemos recortar outros mais restritos, como Perigo sobre duas rodas: o alto índice de acidentes com motocicleta em Rondonópolis. Delimitando ainda mais: Perigo sobre duas rodas: o alto índice de acidentes com motocicletas nos finais de semana em Rondonópolis ou ainda Acidentes com moto em Rondonópolis: qual é a faixa etária dos envolvidos?
Fácil, não? Já está pronto para, a partir dos conhecimentos que já tem sobre o assunto, formular um problema? Ou será que as coisas ao nosso redor são tão perfeitas a ponto de não merecer um olhar mais profundo e crítico sobre elas? Está na hora da...


5- PROBLEMATIZAÇÃO OU DEFINIÇÃO DO PROBLEMA:  Tendo já formulados o assunto e o objeto de estudo,  você agora formulará, com clareza, um problema concreto: uma irregularidade, uma incoerência, um empecilho qualquer dentro do assunto, ou mesmo algo que deva ser melhor esclarecido, elucidado, estudado, para iluminar o conhecimento no âmbito do assunto e objeto de estudo escolhidos. Problema é, então, um desafio que motivou e/ou o impulsionou à pesquisa e deve ser formulado, preferencialmente, na forma de pergunta. Deve também ter uma base científica. Nada de  questionar valores ou propor julgamentos preconceituosos.
 Importante: lembre-se de se perguntar:  a resposta para essa pergunta é viável, relevante para a sociedade? De nada vale eu ter uma ideia brilhante se ela não for relevante para a sociedade ou possível de ser executada.

Exemplo de problema:
 De que modo se poderia deter, a curto prazo, o avanço dos índices de acidentes com moto nos finais de semana em Rondonópolis?
Ou
Falta aos motociclistas educação para o trânsito?
Ou
Que fatores contribuem para a o alto índice de acidentes com motociclistas em Roo?

Há também outras maneiras  para formulação do problema:
Há relação entre ... e ...?  Quais os efeitos de ... sobre ...?  Quais as características de ...?   Quais as semelhanças (ou diferenças) entre ... e ... ? (HÜBNER, 1998, p. 42-3)

Acho que está na hora de dar um nome ao projeto de pesquisa... Não se esqueça de que a pergunta deve estar bem articulada com tema e delimitação do tema. Não se perca pelo caminho. Fique atento. Acho que isso pronto, você já pode dar um nome ao projeto, mesmo que ele seja provisório...

5- TÍTULO: é a nomeação do tema da pesquisa mais um especificador que indica a temática abordada. Exemplo: Perigo sob duas rodas: o alto índice de acidentes com motocicletas nas ruas de Rondonópolis.
6- JUSTIFICATIVA/RELEVÂNCIA: Nesta parte, você vai explicar o porquê do trabalho, explicitando os motivos de ordem teórica e prática que justificam a pesquisa, deixando claro seu diferencial em relação a outras abordagens. É útil a presença de alguns dos pontos a seguir na argumentação da Justificativa: • como surgiu o problema levantado para estudo; • relação do tema com o contexto social; • relevância do tema do ponto de vista geral; • importância do tema para os casos particulares em questão; • considerar as possíveis contribuições teóricas do trabalho para a solução do problema levantado; • possibilidade de sugerir modificações no âmbito da realidade tratada pelo trabalho; • fundamentação da viabilidade da pesquisa; • referências aos aspectos inovadores do trabalho; • considerações sobre a escolha dos locais e períodos que serão pesquisados. Enfim, mostre a importância dessa pesquisa.

7- OBJETIVO GERAL (para quê? ou para quem?) define o que se pretende alcançar com a realização da pesquisa.

Exemplo: 
- conhecer quais os principais fatores que contribuem para o alto índice de acidentes com motociclistas na cidade de Rondonópolis, por meio de entrevistas  e pesquisa bibliográfica, para que  família, escola e instituições governamentais e de serviço, unidas, possam se mobilizar em prol da prevenção desses acidentes.

Veja se o objetivo está bem articulado com tema, delimitação do tema, definição do problema e justificativa. Não vá perder o fio da meada, hein!!. Muita atenção!

7.1 Objetivos Específicos: são os passos que se devem percorrer para alcançar o Objetivo Geral. Como estamos ainda dando os primeiros passos no caminho da pesquisa científica, vamos elencar tudo o que precisamos fazer para alcançar o objetivo maior. É uma forma de desenvolvermos nossa capacidade de antever, antecipar cada coisa que teremos de fazer. É como fazemos em nosso dia-a-dia. Planejamos tudo, mesmo que seja só mentalmente. No projeto, vamos elencar tudo, mesmo que algumas ações pareçam tão óbvias, a ponto de sermos tentados a deixá-las de lado.
Exemplo:
- fazer um estudo aprofundado sobre o tema;
- elaborar um ofício solicitando do Hospital Regional um levantamento do número acidentados com moto atendido no Hospital Regional em finais de semana;
- entregar o ofício no Hospital Regional;
- elaborar um roteiro de perguntas para entrevista com plantonistas do Hospital Regional; 
- elaborar o projeto;
- entrevistar plantonistas do Hospital Regional para saber as principais ocorrências traumáticas e a gravidade delas;
- levantar e tabular (pode ser em gráficos, tabelas, quadros comparativos) os dados coletados;
- analisar e discutir os dados coletados;
- montar o relatório final;
- preparar a apresentação – montar painéis com os recursos necessários.
- apresentar o relatório final (resultados da pesquisa) na Feira de Ciências do Centro Integrado de Ensino.


Atenção: Os objetivos específicos também devem ser coerentes com os passos anteriores e de acordo com aquilo que a pesquisa exige. Cabe ao pesquisador selecionar o que deve fazer conforme as exigências de sua pesquisa.

8- HIPÓTESE (S) Estabelecer uma hipótese é adiantar uma solução provável ao problema de pesquisa, enunciando uma resposta provisória. É, grosso modo, um palpite de solução para o problema. Porém, não é necessariamente a solução definitiva, porque as conclusões poderão confirmar ou não sua (s) hipótese (s). Assim, para deter o avanço dos acidentes com motocicleta em Rondonópolis, poder-se-ia partir da seguinte hipótese: (esta é uma das opções que temos para formular uma hipótese – optamos por ela, por nos parecer mais simples e didática – nada, porém, impede o professor-regente de mostrar aos alunos outras formas)

- Se conhecermos quais os principais fatores que contribuem para o alto índice de acidentes com motociclistas na cidade de Rondonópolis, por meio de entrevistas  e pesquisa bibliográfica;  então, poder-se-á mobilizar   família, escola e instituições governamentais e de serviço, no sentido de tomarem medidas em prol da prevenção desses acidentes.  (preferimos esta forma, por ela nos parecer mais didática – retirada do objetivo geral com devidas adaptações)

Ou

As instituições – família, escola e instituições governamentais e instituições de serviço como Rotary, Lyons etc. - devem se unir para diagnosticar as causas e propor soluções para  melhorar a educação no trânsito dos motociclistas  com vistas à prevenção de acidentes.

Mais uma vez: Não se esqueça de que as ideias entre si devem ser bem articuladas e coerentes.

9- REVISÃO DE LITERATURA: corresponde ao corpo do trabalho e será estruturado conforme as necessidades do plano definitivo da obra. As subdivisões dos tópicos do plano lógico, os itens, as seções, capítulos etc. surgem da exigência da logicidade e da necessidade de clareza e não de um critério puramente espacial. Não basta enumerar simetricamente os vários itens: é preciso que haja subtítulos portadores de sentido. Tem por finalidade colocar o leitor a par do que já se escreveram sobre tema. Ou seja, lembra-se do que foi feito no item 3?  Fez os resumos. Agora, está na hora de analisá-los e compará-los. Os autores dizem a mesma coisa? Trazem as mesmas informações? O que um diz que reforça ou contradiz a idéia do outro? Compile essas idéias e articule-as numa síntese que comporá sua Revisão Bibliográfica ou Revisão de Literatura.

10- METODOLOGIA E DELINEAMENTO DA PESQUISA:  você deverá descrever como irá fazer para dar conta do problema da pesquisa, ou seja, vai fazer a descrição formal do que você vai fazer, quando e como vai fazer para atingir os objetivos. Deixe bem explicitado principalmente tudo o que estiver relacionado à pesquisa de campo:  que tipos instrumentos você vai utilizar para conseguir coletar os dados necessários para a pesquisa (questionário, entrevista, observação...)? Quem será o público-alvo da pesquisa ( sexo, faixa etária, condição social... todas as informações que julgar importantes para dar credibilidade à pesquisa)?  Etc. Em outras palavras: a metodologia contempla a fase de exploração do campo e a definição de instrumentos e procedimentos para análise dos dados, explica o tipo de pesquisa a ser usado, a coleta dos dados e como estes dados serão tabulados e analisados para validar (ou não) sua (s) hipótese (s).Os questionários para entrevista, o requerimento ou ofício para as  visitas, palestras de profissionais devem figurar neste tópico. É preciso definir tudo agora, no projeto.

11- RECURSOS
Recurso de tempo
- elaboração do projeto e leitura sobre o tema: de quando a quando?
- execução do projeto: de quando a quando?;
- Registro, análise e discussão dos dados coletados: de quando a quando?
- elaboração do relatório final: de quando a quando?
- apresentação dos resultados: quando?
Recursos humanos (de quais pessoas e/ou profissionais você precisará para alcançar seus objetivos?)
Recursos financeiros (de que materiais precisará? Discrimine-os com preço: - tinta, cartolina, máquina fotográfica, papel, painel, etc.) Surpresas desagradáveis acontecem, mas são mais comuns aos que não são capazes de fazer um bom planejamento.
Ao final, o projeto de pesquisa deve ser assim apresentado: (seu professor lhe dará as dicas mais detalhadas sobre a montagem e sobre a estética e organização do projeto).

Capa
Folha de Rosto
Dedicatória
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO          
1.1       Situação-problema
1.2       Definição do Problema
1.3       Objetivos
1.3.1    Geral
1.3.2    Específicos
1.4       Justificativas
1.5       Hipóteses 
2       REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3       METODOLOGIA E DELINEAMENTO DA PESQUISA
4       RECURSOS
4.1        de tempo
4.2        humanos
4.3        financeiros
5       REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
5.1       APÊNDICES (fotos tiradas por vocês, questionário a ser aplicado, mapas e/ou qualquer outro tipo de informação pertinente ao tema;  de vocês!)
5.2       ANEXOS (fotos, mapas, textos etc. pertinentes ao tema, mas feito por outrem).   

O PROJETO FICOU PRONTO. UFA!!  Seu professor vai corrigir e lhe dar algumas dicas valiosas para melhorá-lo e, assim, ajudá-lo a atingir seu objetivo mais facilmente.  Só depois disso é que partirá para a segunda etapa do trabalho :  execução do projeto conforme plano traçado. Você vai a campo para coletar dados, vai registrar dados coletados, compará-los, analisá-los, discuti-los, fazer as inferências e tudo mais que for preciso para atingir o objetivo estabelecido.
Com isso tudo em mãos, você elaborará o RELATÓRIO (as dicas de como montá-lo serão posteriormente repassadas) e se preparará para a APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS.

 Uma coisa de cada vez.  Reconheça cada etapa do trabalho.
1- ELABORAÇÃO DO PROJETO
2- EXECUÇÃO DO PROJETO
3- MONTAGEM DO RELATÓRIO
4- APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
5- PREPARAÇÃO PARA APRESENTAR OS RESULTADOS
 6- APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA NA FEIRA DE CIÊNCIAS DO CENTRO INTEGRADO DE ENSINO.               
                                  
                                                   Professora Arlete Fonseca de Oliveira               

26 de maio de 2011

FESTA JUNINA EDUCATIVA

10 dicas para organizar uma festa junina educativa

É possível fazer uma festa junina legal e ainda comprometida com a aprendizagem das crianças e dos adolescentes
Texto Camilo Gomide

Pé de moleque, canjica, curau, pamonha, bolo de milho, quentão, bandeirinhas, fogueira, chapéu de palha, sanfona e arraiá. Sim, estamos falando de festa junina. Todo mês de junho é assim: tiramos do armário as camisas xadrez e os vestidos de chita, pintamos sardinhas nas meninas e bigodinhos nos meninos e vamos satisfeitos para a festa na escola, pensando em todos os quitutes deliciosos que nos aguardam.

Esquecemos o principal: o significado da festa. Você conhece as origens das festas juninas? Sabe por que comemos tantas iguarias de milho e de onde vêm as danças? E o colégio do seu filho, aproveita as festas juninas para preencher buracos na grade horária e engordar o caixa ou utiliza os festejos para ensinar alguma coisa para as crianças?

Embora seja uma tradição consagrada e rica da cultura popular, muitas escolas organizam festas de São João, Santo Antonio e São Pedro que pouco, ou nada, contribuem para a aprendizagem dos alunos. O Educar Para Crescer consultou alguns pedagogos e um antropólogo e elencou algumas dicas para garantir que a sua festa junina seja uma verdadeira aula.
Para ler, clique nos itens abaixo:
Qual a origem da festa junina? Descobrir isso pode ser o primeiro passo para a contextualização da festa. E é importante motivar os alunos a buscarem esta resposta. Saber que a tradição vem dos festejos de agradecimento aos santos pela colheita do meio do ano e que, por isso, a maioria dos quitutes é feita de milho, por exemplo, pode despertar neles o interesse pela história. "É necessário recuperar o porquê da tradição da quadrilha, das comidas, da fogueira, para que a festa junina não vire uma mera caricatura do mundo da roça", diz o antropólogo Jadir de Morais Pessoa, professor titular da Universidade Federal de Goiás, especialista em folclore.
Homem do campo não é Jeca Tatu. É importante apresentar o campo de uma nova maneira. Tirar o olhar de deboche sobre o caipira, manifesto muitas vezes pelas roupas exageradas ou por posturas imbecilizadas. "Trazer uma pessoa da roça para contar dos saberes, descaricaturizar o homem rural. Festejá-lo como sujeito portador de saberes", indica o antropólogo Jadir de Moraes.

Um dos elementos mais importantes das festas juninas são as danças e as músicas populares. Muitas escolas contratam profissionais especializados em cultura popular para valorizar e aprofundar esse universo e desenvolver com os alunos as danças e as canções típicas. Elas não se limitam a contratar sanfoneiros e conjuntos para meras apresentações, fazem mais: colocam os alunos para dançar e até para criar as músicas. "No colégio Vera Cruz, trabalhamos há 10 anos danças típicas de todo o Brasil. As crianças de 5 anos apresentam a "Congada", dança de Minas Gerais; as de 6 anos dançam o "Bumba meu Boi", do Maranhão; e as de 7 anos fazem a tradicional quadrilha", conta Elizabeth Menezes, professora de educação corporal do colégio Vera Cruz. A festa junina pode ser ótima oportunidade também para apresentar novos instrumentos musicais para as crianças. No Vera Cruz, a professora traz instrumentos folclóricos como a caixa do Divino Espírito Santo, a matraca, os gungas e os chocalhos. "O mais lindo é ver o quanto as crianças aprendem. Esse ano um aluno criou uma música que nós vamos utilizar na dança: "Um triângulo, dois quadrados, céu e terra, sol e chuva formam o planeta terra de todo mundo", emociona-se a professora, cantando a canção do aluno Theo Vendramini Sampaio, de 5 anos
Como motivar os estudantes e trazê-los para o projeto? A escola Viva, de São Paulo, utilizou, neste ano, um recurso muito simples: fixou painéis por toda a escola. Os cartazes, confeccionados pelos próprios alunos, traziam curiosidades e atraiam a atenção para o evento. "Foi uma maneira de despertar a atenção nos mais novos. Os painéis traziam informações do tipo: você sabe por que tem fogueira na festa junina? Além disso, traziam fotos dos professores em festas juninas, quando crianças. A brincadeira era adivinhar quem era o professor", disse Marta Campos, coordenadora geral do Ensino Fundamental I da Escola Viva.
As festas juninas escolares devem ser feitas por e para os alunos. O objetivo é estimular o senso de autonomia e de cooperação, reforçando a importância do trabalho comunitário na escola. Para isso, é importante envolver os estudantes em todo o processo, desde a confecção dos estandartes e bandeirinhas à organização das brincadeiras. "Todos os alunos estão envolvidos na organização da festa. Mas alguns têm responsabilidades maiores. Eles coordenam os preparativos, fazem reuniões com a diretoria, apresentam relatórios e tem autonomia para decidir", afirma Wanilda Tieppo, assistente de direção da escola da Vila.
A preparação da festa pode e deve estar atrelada ao conteúdo aplicado em sala de aula. Na escola Oswald de Andrade, por exemplo, cada classe é responsável por uma barraca e cada barraca apresenta transversalmente o projeto trabalhado em classe. "A turma que está estudando os alimentos, por exemplo, preparou uma barraca relacionada ao assunto", destaca Roberta Ferrari Rodovalho, coordenadora assistente do Colégio Oswald de Andrade, de São Paulo.
Uma das tradições da festa junina são as brincadeiras: pescaria, boca do palhaço, jogo da argola, corrida de sacos, pau de sebo, entre outros. Os jogos juninos são a grande diversão da garotada e podem ser uma boa maneira de transmitir valores de cidadania para os alunos. Dois bons exemplos de valorização do lúdico acontecem nas escolas Vera Cruz e Oswald. Na primeira, as próprias crianças são responsáveis pela confecção das prendas. "Elas fazem colares, cadernos, trabalhos em argila e todo tipo de brinquedos. Vale tudo, o importante é a participação", diz Elizabeth Menezes. Já no Oswald, não há brindes para os vencedores. "O objetivo é estimular a brincadeira pela brincadeira", conta Roberta Ferrari Rodovalho, coordenadora assistente do colégio Oswald de Andrade, de São Paulo.
A participação dos pais e familiares é importante para as festas juninas em vários aspectos. Para começar, quando comparecem os pais estimulam a criança e reforçam a auto-estima. Mas eles também podem contribuir na organização. No Colégio Oswald de Andrade, por exemplo, os pais conjuntamente com os filhos são convidados a preparar e a trazer os comes e bebes. "A participação dos pais é muito importante para nós. Cabe a eles trazer as comidas, que ficam todas dispostas em uma mesa. O lanche é comunitário, não tem custo, é só chegar e pegar", diz Roberta Ferrari Rodovalho, assistente de direção do Colégio Oswald.
É muito importante não atrapalhar a rotina e a programação escolar por causa da festa. A começar pela escolha da hora e da data do evento. Não pode ser no horário letivo. O melhor é fazer aos sábados, domingos ou depois das aulas. "Nunca fazemos nossas festas em período letivo, temos um programa a seguir e não descumprimos. As festas juninas acontecem sexta-feira à tarde, único dia da semana que não funcionamos em período integral", explica José Carlos Alves, diretor do Colégio de Aplicação do Pernambuco, escola pública com a segunda melhor média no Enem e 14ª colocada no ranking nacional.
A festa junina não pode ser apenas um pretexto para se arrecadar dinheiro para melhorias na escola. Precisa se auto-sustentar, é claro, mas não precisa gerar lucro. Algumas escolas, como a escola da Vila, em São Paulo, preferem utilizar a festança para juntar recursos para instituições de caridade. "Não cobramos entrada. Pedimos para que as pessoas tragam doações, que repassamos à ONGs que ajudam pessoas carentes. Em 2008 e em 2009, estamos arrecadando utensílios de higiene e roupas para uma instituição que auxilia moradores de rua", disse Wanilda Tieppo, assistente de direção da escola da Vila

20 de maio de 2011

Das Utopias

Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

(Mário Quitana)

19 de maio de 2011

Admiravel Gado Novo (Admiravel Mundo Novo).wmv



Admirável Gado Novo

Zé Ramalho

Composição : Zé Ramalho
Oooooooooh! Oooi!
Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber...
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal...
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Oooooooooh! Oh! Oh!
O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela...
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se pode flutuar

Não voam nem se pode flutuar
Não voam nem se pode flutuar...

Êeeeeh! Oh! Oh!
Vida de gado
Povo marcado, Êh!
Povo feliz!...(2x)

Ooooooooooooooooh!

No título existe uma referência clara ao livro "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley, publicado em 1932, que narra um "hipotético" futuro onde as pessoas são pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia, dentro de uma sociedade organizada por castas, sem regras sociais e sem a possibilidade de contestação e senso crítico. A sociedade desse "futuro", criado por Huxley, não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo de uma droga, sem efeitos colaterais chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe. Vemos assim uma sociedade controlada, condicionada a viver em uma ordem estabelecida através conformismo. Outro aspecto importante é que nesse "Mundo Novo" não há princípios morais e éticos. O controle se dá somente através da droga "soma" que surge como a representação dos instrumentos alienatórios da sociedade entre nós, os meios de comunicação de massa como a televisão. Não há espaço para o questionamento, pois a "droga" elimina todas as dúvidas e continua a direcionar, é claro, de acordo com a ordem dominante. É um mundo "admirável", pois se apresenta como modelo exemplar de perfeição e ordem, contudo oculta as suas reais intenções de criar desigualdade social e as mazelas provocadas pelo interesse dominate.

16. Engenheiros do Hawaii - 3ª do Plural (Acústico MTV)